CRIANDO UNIÃO – O SIGNIFICADO ESPIRITUAL DOS RELACIONAMENTOS (PARTE II)

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CRIANDO UNIÃO – O SIGNIFICADO ESPIRITUAL DOS RELACIONAMENTOS

A MULHER TOTALMENTE AUTÔNOMA

(Continuação da parte I sobre o livro de palestras do Guia por Eva Pierrakos e Judith Saly)

expansão da consciênciaEu gostaria de traçar um retrato da mulher na idade da consciência expandida e de aplica-lo ao relacionamento entre os sexos. A nova mulher é completamente responsável por si e, portanto, livre. Ela é independente, tanto no sentido material como no intelectual, no mental e no emocional. Com isso, quero dizer especificamente que ela saber que nenhum homem pode dar-lhe felicidade e a sensação de harmonia se ela mesma não for capaz de gera-las, por meio do amor e da integridade, por meio da abertura do coração ao amor e da mente à verdade interior.  A nova mulher sabe que amar um homem e entregar-se a seus sentimentos por ele aumenta a sua força. Para anova mulher, não há conflito entre ser um membro produtivo, criativo e participante da sociedade e uma parceira no amor. Com efeito, o amor real não é possível para quem se escraviza a fim de evitar a responsabilidade. A velha lenda de que a carreira torna a mulher menos mulher, menos sensível, menos amorosa, menos capaz de ser uma boa parceira é totalmente incorreta.

O novo estado das coisas exige força e autonomia, que é preciso conquistar. É preciso conquista-las, arcando com o peso da realidade, com tudo o que isso acarreta, mas não com espírito de ódio, rebeldia, competição, provocação, não imitando os piores excessos e distorções dos homens, a agressividade negativa e os jogos de poder. Essa conquista deve ser feita pelo poder da verdade e do amor, pelo Eu superior. Sempre que algo real é negado por ser erroneamente concebido como difícil demais é preciso, em primeiro lugar, aceitar essas dificuldades. No fim das contas, elas não se mostrarão tão difíceis assim. A responsabilidade por si mesmo parece trabalhosa, mas não é, desde que se aceite a aparente provação, pois essa aceitação significa uma maneira honesta de abordar a vida.

Quando ainda há deturpação, a mulher continua querendo do homem aquilo que ela se recusa a dar a si mesma. Não é o caso da nova mulher. Não quer dizer que duas pessoas que vivam juntas não partilhem também naturalmente, suas dificuldades. Não é isso que estou falando. Vocês sabem perfeitamente bem, por causa do Trabalho do Caminho, que, no fundo, querem que uma figura paterna superior se transforme em parceiro. Também sabem como esse desejo implícito está condenado a destruir qualquer relacionamento. Ele faz com que vocês se ofendam com isso e temam a autoridade que desejam explorar. O amor só pode florescer num clima de verdadeira igualdade, em que não exista medo e, portanto, nem defesa nem acusação. Contrariamente à lenda de que a feminilidade só floresce quando a mulher é uma serva do homem, na verdade, os sentimentos só florescem quando a mulher é livre, autônoma e independente no melhor sentido da palavra. A satisfação depende totalmente da verdadeira condição de igualdade. No momento em que um se sente superior ao outro, o respeito diminui e os sentimentos estancam. No momento em que um se sente inferior ao outro, os corolários inevitáveis são o ressentimento, o medo e a inveja, o que também fecha o coração.

A nova mulher não é nem escrava do homem nem sua concorrente. Portanto, ela pode amar, e seu amor não diminui, pelo contrário, aumenta a auto-expressão criativa, exatamente como a sua contribuição criativa à vida intensifica a sua capacidade de amar. Esta é a nova mulher.

O HOMEM TOTALMENTE AUTÔNOMO

O homem, na era da consciência expandida, já não precisa de uma parceira mais fraca como forma de negar a sua fragilidade. Ele enfrenta e encara a sua fragilidade, e assim conquista força real. Ele percebe que sua fraqueza sempre tem origem na culpa, e a auto-rejeição é sempre a negação da integridade do Eu Superior, de uma forma ou de outra. Portanto, já não existe nele a necessidade de ter um escravo. O homem, então, não se sente ameaçado por um igual. Não exige um parceiro inferior para se convencer de que é aceitável o que, naturalmente, de qualquer forma seria uma ilusão. Depois de encarar a própria fraqueza, é preciso que ele conquiste a sua verdadeira força. Portanto, seu relacionamento com a mulher é realmente igualitário; ele não se sente ameaçado por uma pessoa tão criativa, tão adequada tão forte moralmente, tão inteligente como ele mesmo. Não precisa bancar o patrão. Isso permite que ele abra o coração e sinta uma satisfação antes impossível.

Qualquer círculo vicioso que antes o confinava transforma-se agora num círculo benigno. Em vez de sentimentos de inferioridade oprimindo o coração, gerando ressentimento, ódio e, portanto, frustração e acusação ao outro sexo, o círculo benigno abre o coração. O homem e a mulher plenamente autônomos, responsáveis e realizadores, nada têm a temer, invejar nem ressentir no outro sexo. Podem, portanto, abrir todos os canais dos sentimentos e sentir a satisfação e o senso de gratidão pelo parceiro. Assim, dois iguais podem ajudar-se reciprocamente a se desenvolverem como pessoas, como homem e mulher. Esse é o novo homem, essa é a nova mulher, esse é o novo relacionamento.

Quando isso não existe, o simples fato de vocês serem capazes de identificar as falácias, as expectativas distorcidas, as metas ilusórias e os sentimentos negativos no seu íntimo, e poderem reconhecer sua participação na manutenção do estado de guerra interior, tem como consequência uma postura totalmente diferente com relação à auto-avaliação e à avaliação do outro.

Assim, o novo homem e a nova mulher não são necessariamente indivíduos perfeitos e totalmente desenvolvidos. Em vez disso, são pessoas que buscam as razões da falta de satisfação, em si mesmos e no outro. Podem assim, reconhecer a reciprocidade negativa que precisa ser trabalhada em conjunto. O novo homem e a nova mulher não aumentam o fosso que os separa com acusações hipócritas entre o eu e o outro, entre o eu e a verdade.

A autonomia, um processo de contínuo desenvolvimento, elimina a desconfiança. A desconfiança que ainda existe entre os sexos é um resíduo de tempos antigos. Na era em que estamos ingressando, as diferenças já não induzirão ao medo. Quando se confia no universo, a diferença sempre tem um apelo especial. Quando a diferença atrai, em vez de assustar, as pessoas se realizam e dissolvem os bloqueios da inverdade. Assim, vocês concretizam o seu mais elevado potencial. Procurem usar esse reconhecimento como parâmetro da intenção de permanecer na inverdade e sofrer, ou não.

No momento atual, a consciência da humanidade engloba todos os estágios do desenvolvimento do relacionamento entre homem e mulher.

Vocês, pessoalmente, podem aderir conscientemente aos mais elevados ideais. Mas em níveis mais profundos, as reações emocionais podem não estar totalmente de acordo com as ideias sustentadas conscientemente. É importante verificar onde e como existem desvios. Pois essa é a única maneira de se proteger contra o desequilíbrio interno – e, consequentemente, contra a desarmonia externa.

Naturalmente, há uma resposta para tudo, e essa resposta é o amor. Sem amor, nada pode ser colado, nada pode ser unificado, nenhuma verdade pode ser alcançada. No entanto, é igualmente certo que o amor não pode ser alcançado sem a verdade. Num canto no fundo do coração ainda persistem o medo e o ódio, o ressentimento e a desconfiança do sexo oposto. E, mais importante ainda do que isso, persiste a vontade de permanecer nesse estado, a intenção de continuar a esconder esses sentimentos, de impedir o florescimento do coração e da mente dos homens e das mulheres. Na medida em que vocês se apegam ao velho estado, ainda não conquistaram o próprio eu e ainda não são capazes de se relacionar bem com o outro sexo e de se realizar. A busca da satisfação com a velha atitude inalterada é totalmente fútil.

Assim, digo a vocês, caríssimos amigos: procurem encontrar esse cantinho no coração, esse pequeno nicho oculto onde vocês odeiam o sexo oposto. A defesa contra esse reconhecimento pode vir na forma de acusação, de culpa, de ressentimento, de limitação aparentemente justificada do coração. A mulher faz o jogo da vítima; o homem acusa e faz o jogo da superioridade. Ele acusa a mulher de explorá-lo e de usá-lo, e se sente superior com a relação à faceta que torna a mulher fraca. Por uns tempos, o pêndulo oscilou para o extremo oposto. A mulher tornou-se agressiva e, muitas vezes, esqueceu o próprio coração, seu amor pelo homem, rejeitando o amor. No contramovimento do pêndulo, o homem deixou para trás a agressividade positiva e expressou uma fraqueza que ele jamais revelaria em eras anteriores.

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