
Todo mundo já sentiu alguma dor emocional. Não é uma dor física, mas algo que aperta o peito, que faz a gente se sentir pequeno, insuficiente ou com um vazio.
E o que a gente costuma fazer? Tentar ignorá-la, fugir dela, ou disfarçá-la…
Mas e se, em vez de ser um inimigo, essa dor pudesse ser sua maior fonte de força? Essa é a ideia central do médico e autor húngaro-canadense Gabor Maté, uma inspiração para as reflexões que você vai ler a seguir.
Especialista em trauma, vício e desenvolvimento da criança, Maté nos ensina que a cura não está em evitar o que dói, mas em enfrentá-lo com coragem.
1. Entenda a origem da dor
A dor emocional que você sente hoje raramente nasceu agora.
Gabor Maté explica que muitas das nossas feridas emocionais vêm da infância, de experiências que nos fizeram sentir que não éramos bons o suficiente, amados o bastante, ou que precisávamos de uma “armadura” para nos proteger.
Reconhecer que a raiz da sua dor pode estar em um passado distante é o primeiro passo para o autoconhecimento.
2. Pare de fugir dela
Nossa cultura nos ensinou a evitar e esconder a dor a todo custo. Assim, a gente busca gratificação instantânea em compras, comida, redes sociais, ou até mesmo em vícios.
De fato, a fuga pode nos dar um alívio momentâneo, mas nunca resolve o problema.
É como colocar um curativo em um machucado que precisa de pontos: a ferida ainda está lá, esperando para infeccionar.
3. Acolha com compaixão, não lute
O caminho para a cura começa com a aceitação. Isso não significa gostar da sua dor, concordar com o que ou quem lhe feriu ou se conformar com ela, mas sim reconhecer sua existência.
É dizer para si mesmo: “Estou com dor agora, e tudo bem sentir isso.” A aceitação desarma a luta interna e abre espaço para desenvolver a compaixão por si mesmo.
4. A vulnerabilidade é uma força
A gente cresce acreditando que ser forte é não chorar, não pedir ajuda e não mostrar fraqueza.
Gabor Maté nos mostra que a verdadeira força está exatamente no oposto: em ser vulnerável sem se vitimizar.
Ou seja, é preciso parar de tentar fugir da dor ou se enganar, e tomar consciência de que existe a dor emocional e a vulnerabilidade em nós, mesmo que no início incomode.
Pois, segundo ele é através da nossa vulnerabilidade que nos conectamos de verdade com os outros. Compartilhar nossa dor e nosso processo de cura com consciência pode criar pontes e nos lembrar que não estamos sozinhos nessa jornada.
5. Integre a dor e ressignifique sua história
Esse é o último e mais profundo passo. A dor não desaparece, mas você aprende a conviver com ela de uma nova forma.
Ela se torna uma parte da sua história, mas não define quem você é.
Ao ressignificar sua dor, você a transforma em uma fonte de empatia e sabedoria. Aquilo que te machucou pode te tornar uma pessoa mais compassiva, capaz de entender e ajudar os outros em suas próprias jornadas.
O caminho para transformar a dor em força é longo e pessoal. Exige paciência e, acima de tudo, coragem.
Mas ao seguir esse caminho, você não apenas se liberta de velhas feridas, como também encontra uma força que nunca imaginou ter.
Para saber mais sobre os estudos e livros de Gabor Maté, como o aclamado “O Mito do Normal”, visite seu site oficial: aqui.
Esta página lista seus principais livros, que são a base de seus estudos sobre trauma, vício e a conexão entre mente e corpo.
Seu trabalho é amplamente divulgado em livros e palestras, que compilam anos de observação clínica e estudos de caso, tornando-o uma das principais vozes na área do trauma e da saúde mental.