Sugestão e Autossugestão nas palavras de Hermógenes de Andrade

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Sugestão e autossugestão

sugestão

Tópico citado do livro Autoperfeição com Hatha Yoga de José Hermógenes de Andrade

O universo existe como uma sugestão da Mente Cósmica. A mente cria a energia e esta move a matéria. Esta é a verdade não só no macrocosmo, mas também no microcosmo, isto é, tanto vale para o plano divino como para o plano humano, desde que o homem é feito à imagem e semelhança de Deus.

Nossa mente comanda o corpo através da sugestão, mas por seu turno é passível de sugestões que vêm de fora, através dos sentidos, das palavras, da simpatia e da telepatia.

Não levantamos um braço sem que uma ordem mental – sugestão – ative os nervos e estes movimentem os músculos. Qualquer que seja a obra que realizamos, esteve ela antes na mente, como anteprojeto, o qual, mediante a sugestão, veio a expressar-se em ato. Não há impossíveis para a sugestão. Não há limites conhecidos para uma aperfeiçoada e concentrada força mental quando esta sabe sugerir. Os praticantes avançados do judô sabem como multiplicar a força de um braço e mesmo o peso do próprio corpo. Na América do Norte, franzina senhora, tentando salvar o filhinho, ela só, isto é, com a força de seu amor e a potência de sua mente, conseguiu suspender um automóvel que esmagava o entezinho querido. Não há milagres que a sugestão não possa fazer.

O que somos, bons ou maus, sadios ou enfermos, tranquilos ou angustiados, alegres ou tristes, fortes ou débeis, abandonados ou estressados, o somos por conta das sugestões que em nós predominam. Sejam psíquicas, como a empatia; sociais, como as da propaganda; sejam físicas, como o frio que nos leva a vestir roupas grossas; sejam intelectuais, como as emitidas por professores, escritores, mentores, conferencistas, pregadores, as sugestões nos envolvem e conduzem. Umas são condizentes com nosso bem-estar e progresso espiritual; outras, ao contrário, deprimentes, negativistas e enfermiças. Ao entrar num cinema, por exemplo, pagamos para receber sugestões da película e com elas todos os reflexos sobre nossa unidade psicossomática. Se o filme é de mensagem construtiva e bela, lucramos. As emoções assim como o fígado, gozarão compensadores momentos. Se, no entanto, trata-se de um desses dramalhões chamados “realistas”, à base de erotismo e sordidez, violência e mensageiros do niilismo, a saúde física e o bem-estar espiritual são infalivelmente abalados.

Desde os primeiros momentos de vida, a criança é submetida a sugestões partidas de pais e irmãos. Vêm depois as sugestões da escola, do grupo, da publicidade, das artes, das conversas, da imprensa. E assim forma-se a personalidade, esta coisa que temos como a mais importante de nossa vida. Nosso “euzinho” é manufaturado pela interação social, pelas sugestões ambientais.

Se apenas tais sugestões vindas de fora predominassem, então diríamos que o ser humano seria inteiramente condenado, determinado pelas forças ambientais, sem possibilidade de romper suas muralhas.

O homem, no entanto, não é fruto só de sugestões, provenientes de fora, isto é, de heterossugestões. Ao contrário, é , em toda a natureza, o único ser capaz de voluntariamente fazer sugestões a si mesmo, isto é, autossugestões.

Seja por heterossugestões seja por autossugestões, o homem dito normal age, pensa, move-se, adoece, cura-se, alegra-se ou se entristece, exulta ou se abate, luta ou se entrega, ama ou odeia, vive e morre sob o influxo de sugestões aninhadas nos vários níveis de consciência. As mais eficazes, exatamente por serem ignoradas, são as que residem no insondável inconsciente, originadas quase sempre nos dias da infância ou de vidas anteriores.

O ser humano comum, desde seus primeiros anos de vida, é educado para ter medo da doença, do pecado, do anjo das trevas, da morte, da dor, do erro… Desde a infância, mercê de equivocada conceituação de humildade, os pai ou sacerdotes infundem no filho a convicção de que é filhos do pecado, imperfeito, falível, débil, ignorante e desamparado, portanto, o diametralmente oposto a Deus, que é perfeito, sábio, bondoso, onipotente e onisciente, o qual paira inatingível muito longe, muito alto, depois das nuvens atento para castigar e premiar… Esta é a sugestão predominante em certo tipo de educação religiosa. E até considerado de boa prática e de muito merecimento acentuar repetidamente em orações que valem por eficientes autossugestões negativas, coisas como estas: “Perdoa, Pai, este pecador e ínfima criatura, indigno de Teu amor…”

A sugestão acaba por se realizar. Tarde ou cedo, aquele que costuma afirmar-se pecador e ínfimo acabará sendo ambas as coisas.

Em Yoga, a potência da sugestão é dirigida no sentido positivo. “Eu sou Tu. Tu és eu”, repete o yoguin. “Eu sou Teu filho, feito por Ti à Tua imagem e semelhança, portanto sou herdeiro da perfeição e da felicidade”, diz ele para si mesmo em suas meditações, e, quanto mais convicto, mais próximo da realização.

Para Christian Science, o homem só não é divino, onipotente e onisciente por achar-se sob o império da sugestão negativa, que o qualifica como enfermo e pecador, porque cada um tem mais fé na matéria, no erro, na pobreza e na morte do que no espírito, na verdade, no poder e na vida.

Tem o homem que mudar o conteúdo da mente. Deve substituir a convicção de que é pecador pela de que é filho do Bem; a de que está Deus afastado e inacessível, pela fé em Sua presença em toda parte e (por que não?) em si mesmo… Tal substituição não se pode processar num minuto. O conteúdo negativo levou muitos anos, e mesmo alguns milênios para fazer-se. É herança da raça. É sedimento de séculos de crenças errôneas, e estende muito fundo suas raízes. Tem, portanto, como resistir à ação corretiva e terapêutica da autossugestão positiva.

Esta, enquanto não se aprofundar no inconsciente, vencendo a adversária, continuará improdutiva. Enquanto não galgar o plano superconsciente, como poderá redimir? A persistência, a confiança no êxito, a convicção da verdade que ela representa e, mais ainda, a ausência absoluta de ansiedade garantem a eficácia e a vitória definitivas.

Nos primórdios, é natural portanto que, não obstante a boa intenção do praticante, a autossugestão positiva, a curadora, por exemplo, seja anulada pelas sugestões contrárias atuantes no inconsciente. Os fracos resultados iniciais desarvoram e podem mesmo gerar descrença. Ninguém desanime, porém. Não se pode, nas primeiras tentativas, vencer uma dor de dentes simplesmente por dizer convicto: “Vai passar, vai passar…”

Nunca se deve fazer uma autossugestão e ficar ansioso à espreita dos resultados. Nem é aconselhável fazer referência a determinada doença de que se deseja a cura. É mais inteligente afirmar a saúde do que negar a doença, afirmar a serenidade do que negar o medo… Mais inteligente ainda é a autossugestão em termos gerais, isto é, em vez de afirmar “minha saúde melhora”, é preferível dizer, como aconselha o método Coué, “Sob todos os aspectos, melhoro a cada dia”. No entanto, ainda mais sábio do que tudo isso é dizer como yoguin: “Eu sou Ele e Ele é eu.”

A prece jamais deveria ser uma série de pedidos de natureza particular antecipada por uma louvação em termos piedosos. A verdadeira oração é ato de amor, gesto de autodoação, intensa comunhão, vivência de profunda confiança, uma afirmação de identidade… A prece autêntica desperta o homem de seu normal estado de hipnose e velhas sugestões enfermiças. Só então o homem se sente Unido e Salvo.

Tópico do livro Autoperfeição com Hatha Yoga de um Grande Mestre:

Professor José Hermógenes de Andrade Filho.

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