DESVENDANDO OS PAPÉIS E OS SEGREDOS DA MEMÓRIA COM AUGUSTO CURY

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Desvendando os papéis e os segredos da memória com Dr. Augusto Cury

papéis da memória

Nossos erros históricos relativos à memória parecem coisa de ficção. Há milênios atribuímos à memória funções que ela não tem. Há graves erros no entendimento da memória tanto na psicologia como na educação. A ciência desvendou pouco os principais papéis da memória. A Teoria da Inteligência Multifocal, desenvolvida por mim, vem contribuir humildemente para corrigir algumas importantes distorções nessa área fundamental.

Milhões de professores no mundo estão usando a memória inadequadamente. Por exemplo, o registro da memória depende da vontade? Muitos cientistas pensam que sim. Mas estão errados. O registro é automático e involuntário.

A memória pode ser deletada como a dos computadores? Milhões de usuários dessas máquinas creem que sim. Mas é impossível deletá-la.

Precisamos compreender o funcionamento da mente e os papéis básicos da memória para encontrar ferramentas para expandir nossa inteligência, enriquecer nossas relações e reconstruir a educação. Neste trecho retirado do livro do psicólogo, psiquiatra, professor e autor de muitos livros Augusto Cury vamos ter uma abordagem sucinta do tema.

emoções e memória

Treinar os papéis da memória é:

– Entender a complexa atuação do fenômeno RAM (registro automático da memória): o arquivamento das experiências.

– Perceber a formação das janelas da memória como território de leitura em determinado momento existencial.

– Compreender a formação das janelas light, killer e neutras, bem como dos traumas e das zonas de conflito na memória.

– Descobrir o papel da emoção no processo de abertura das janelas da memória, na construção das cadeias de pensamento e na atuação do Eu como autor da própria história.

– Usar ferramentas para reeditar o filme do inconsciente, proteger a memória e filtrar os estímulos estressantes.

– Cuidar da memória como um jardim de janelas light e não como um depósito de lixo de experiências asfixiantes.

O Registro da Memória é Involuntário

Certa vez, um professor foi ofendido por um aluno. Sentindo-se tratado desumana e injustamente, decidiu excluir o aluno da sua vida. Fez um esforço enorme. Mas, quanto mais tentava esquecê-lo, mais pensava nele. Ao vê-lo, sentia raiva. Por que não conseguia esquecê-lo? Porque esse tipo de registro é automático, não depende da vontade.

Nos computadores, o registro depende de um comando do usuário. No ser humano, o registro é involuntário, realizado pelo fenômeno RAM (registro automático da memória), que arquiva informações saudáveis, doentias ou neutras sobre tudo o que ocorre. Cada ideia, pensamento, reação ansiosa, momento de solidão ou período de insegurança é registrado em sua memória, passando a fazer parte da colcha de retalhos de sua história existencial, do filme de sua vida.

Infelizmente, por desconhecermos os papéis da memória, não sabemos trabalhar o mais complexo solo de nossa personalidade. Tornamo-nos péssimos agricultores de nossa mente.

Quanto mais tentarmos repelir, por exemplo, uma ofensa, perda, rejeição social, falha ou pessoas desafetas, mais elas serão registradas como janelas killer (janelas traumáticas) pelo fenômeno RAM, mais serão lidas pelo gatilho da memória, pelo autofluxo e pelo Eu, mais construirão milhares de pensamentos e imagens mentais angustiantes e mais serão novamente registradas pelo fenômeno RAM, fechando o círculo da masmorra psíquica, desertificando os nobres jardins da personalidade.

A memória não pode ser apagada ou deletada

Você pode tentar com todas as suas forças apagar seus conflitos, pode tentar com toda sua habilidade destruir as pessoas que o(a) machucaram, bem como os momentos difíceis de sua vida, mas não terá êxito.

Há duas maneiras de resolvermos nossos conflitos, traumas, transtornos psíquicos:

1-    Reeditar o filme do inconsciente.

2-    Construir janelas paralelas às janelas doentias.

Formas erradas de proteger a memória

A pior maneira de filtrar estímulos estressantes, como traição, perda, humilhação, ofensa, crise, vexame público, frustração e decepção, é: ter aversão, ter medo, odiar, rejeitar, reclamar, excluir, negar. Todas essas atitudes e reações colocam combustível no fenômeno RAM, potencializando o arquivamento do estímulo estressante, levando à retroalimentação da janela traumática. O ódio faz mal ao hospedeiro e não à pessoa odiada.

Leia também: 7 coisas que Buda nos ensinou sobre a superação do sofrimento na vida.

Excluir alguém pode ferir muito o excluído, mas não deixa ileso quem exclui, por isso é fortemente registrado em seu cérebro. Do mesmo modo, negar, rejeitar, distanciar-se desprotegem a memória e a emoção.

Todos esses padrões de comportamento existem desde os primórdios da civilização. São praticados intensamente até hoje nas escolas, universidades, religiões, sociedades e culturas. Por isso, o pior inimigo do ser humano é frequentemente ele mesmo. Por desconhecer o elemento-chave da psicologia, ou seja, o pensamento, e como ele se constrói e se registra, as pessoas levam seus desafetos e oponentes para sua cama, sua mesa, sua história.

10 Técnicas Poderosas para Proteger a Memória

 memória saudável

1- Ter consciência de que cedo ou tarde ocorrerão frustrações por melhor que seja uma relação.

2-  Doar-se sem esperar a contrapartida do retorno.

3-    Desenvolver a tolerância no sentido mais pleno, entendendo que por trás de uma pessoa que nos machuca sempre há alguém machucado. Quem dá mais desconto para os outros é mais feliz e saudável.

4-    Não cobrar excessivamente dos outros. Quem cobra de forma exagerada planta janelas killer que bloqueiam a criatividade das pessoas que o rodeiam.

5-    Não cobrar excessivamente de si. Quem cobra demais de si sabota sua felicidade, registra janelas traumáticas que aumentam os níveis de exigência para ser feliz, realizado, saciado. Torna-se carrasco de si mesmo.

6-    Entender que perdoar é atributo dos fortes. Quem perdoa com facilidade protege a memória. Jamais se esqueça de que perdoar não é um ato heroico, mas um ato inteligente de alguém que procura compreender o que está por trás dos comportamentos dos outros, incluindo sua estupidez, arrogância e erros.

7-    Julgar menos e abraçar mais.

8-    Não levar a vida a ferro e fogo, nem se guiar pelo fenômeno “bateu-levou”. Agredir quem nos agride retroalimenta a violência.

9-    Proteger a emoção. Não deixar que ela se transforme numa “terra de ninguém”, que pode ser invadida por qualquer crítica, perda ou frustração.

10-  Cultivar uma mente livre e madura capaz de cuidar da paisagem dos solos da memória. Você a cultiva? A grande maioria das pessoas vive ingenuamente, no mau sentido da palavra.

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